2026-02-09

Rir para sempre, com David Foster Wallace.

Reedição da obra-prima do escritor norte-americano publicada há 30 anos.

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Entre a comédia mais tresloucada e a reflexão filosófica mais pertinente sobre uma sociedade e os seus vícios, sobre as relações familiares e o papel do entretenimento nas nossas vidas, A Piada Infinita é um daqueles raros romances que inauguram um novo género no momento em que são publicados. Foi assim em fevereiro de 1996, há trinta anos, mantém-se tão ou mais atual agora, em 2026, na reedição da Quetzal que chega às livrarias nacionais com tradução de Salvato Teles de Menezes e Vasco Teles de Menezes.

Situada num futuro próximo, a ação de A Piada Infinita, do incontornável David Foster Wallace, decorre entre uma academia de ténis e um centro de reabilitação de alcoólicos e toxicodependentes, em que o leitor acompanha uma família desestruturada. No centro da narrativa está um filme, A Piada Infinita, que deixa os espectadores num estado de apatia permanente, apenas interessados em revê-lo em contínuo. Sátira aos costumes da sociedade de consumo, devaneio contra os excessos do pós-modernismo, lírico e erudito, lúdico e realista, a Magnum opus de David Foster Wallace, nas suas contradições e fôlego imenso, é um livro que escapa a qualquer definição.

Mais do que uma obra sobre o nosso futuro coletivo, parece vinda de outro universo, como sugere a romancista Zadie Smith, referindo-se ao autor: «Um visionário, um artesão, um cómico, e tão sério quanto se pode ser sem escrever um texto religioso. É tão moderno que parece habitar um contínuo tempo-espaço diferente do nosso. Maldito seja.»