2023-05-17

Quetzal publica A Saga/Fuga de J.B., de Gonzalo Torrente Ballester.

Corria o ano de 1972, há cerca de 50 anos, quando Gonzalo Torrente Ballester publicou o livro que iria mudar a literatura espanhola. Críticos e escritores foram unânimes: A Saga/Fuga de J.B. é uma espécie de romance total, uma interrogação à literatura, um desafio à linguagem.

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Mas a melhor definição do livro cabe, curiosamente, aos serviços da censura franquista:

«Totalmente impossível de entender, a ação decorre numa cidade imaginária onde há lampreias, um Corpo Santo que apareceu na água e uma série de malucos que dizem muitos disparates. De vez em quando, alguma coisa sexual, quase sempre tão disparatada como o resto, e alguns palavrões. Este livro não merece proibição nem aprovação. A proibição não encontraria justificação e a aprovação seria demasiada honra para tanto cretinismo e insensatez. Propõe-se que se lhe aplique o silêncio administrativo.»

Não há maior elogio.

José Saramago, que assina o prefácio da edição que a Quetzal agora publica, sintetiza a estranheza: «Entrei na obra de Gonzalo Torrente Ballester pela sua porta maior: A Saga/Fuga de J.B. A minha primeira reação ao lê-lo, só comparável à que me tinha causado o Quixote, foi que um livro assim não podia existir. Ao lado dele, tudo parecia pequeno, insignificante, desnecessário.»

Um romance clássico e moderno, tocado pela loucura e iluminado pelo génio, com quase 700 páginas, centrado numa cidade inventada que, em certos momentos mágicos, se solta do chão e sobe às alturas – e onde, durante séculos, José Bastida (J.B.) se perde na busca de si mesmo.

Com tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, A Saga/Fuga de J.B. chega às livrarias a 18 de maio.