Mas a melhor definição do livro cabe, curiosamente, aos serviços da censura franquista:
«Totalmente impossível de entender, a ação decorre numa cidade imaginária onde há lampreias, um Corpo Santo que apareceu na água e uma série de malucos que dizem muitos disparates. De vez em quando, alguma coisa sexual, quase sempre tão disparatada como o resto, e alguns palavrões. Este livro não merece proibição nem aprovação. A proibição não encontraria justificação e a aprovação seria demasiada honra para tanto cretinismo e insensatez. Propõe-se que se lhe aplique o silêncio administrativo.»
Não há maior elogio.
José Saramago, que assina o prefácio da edição que a Quetzal agora publica, sintetiza a estranheza: «Entrei na obra de Gonzalo Torrente Ballester pela sua porta maior: A Saga/Fuga de J.B. A minha primeira reação ao lê-lo, só comparável à que me tinha causado o Quixote, foi que um livro assim não podia existir. Ao lado dele, tudo parecia pequeno, insignificante, desnecessário.»
Um romance clássico e moderno, tocado pela loucura e iluminado pelo génio, com quase 700 páginas, centrado numa cidade inventada que, em certos momentos mágicos, se solta do chão e sobe às alturas – e onde, durante séculos, José Bastida (J.B.) se perde na busca de si mesmo.
Com tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra, A Saga/Fuga de J.B. chega às livrarias a 18 de maio.