Através dos olhos e ouvidos de Tunde, um afroamericano que trabalha como professor de fotografia num campus de renome em Nova Inglaterra, Teju Cole constrói uma narrativa que convoca literatura, música, raça e história ao examinar a passagem do tempo – e a forma como o marcamos. Um fim de semana tranquilo dedicado a comprar antiguidades transforma-se na memória de atrocidades coloniais que ocorreram naquela terra pacata. Um passeio ao anoitecer é interrompido por racismo causal. Um casamento amoroso é dilacerado por tensões misteriosas. E uma notável cascata de vozes fala de uma metrópole pulsante. Histórias que compõem uma rotina de aparente tranquilidade, que esconde uma mente sobressaltada.
Estremecimento é um ajuste de contas com a sobrevivência humana – mas também um testemunho da possibilidade de alegria. E confirma Teju Cole como farol da literatura contemporânea norte-americana.