Voz de uma nova geração de escritoras do Reino Unido, Jo Hamya constrói um romance que se desenrola no tempo de duração de uma récita de teatro. Nele se desfiam as tramas de uma história que une, com magnífica precisão de linguagem e mudanças de espaço e tempo, as férias de um pai recém-divorciado, escritor medíocre, com a sua filha adolescente que, dez anos mais tarde, se estreia como argumentista de uma peça de teatro inspirada nesses dias passados numa ilha da Sicília.
No verão de 2010, o pai de Sophia pouco (ou nada) acompanhou a filha em idas à praia ou passeios, pedindo-lhe para digitar o seu novo romance. O prometido programa de férias a dois resumiu-se à solidão de Sophia e à tomada de conhecimento de factos da vida para os quais ainda não tinha idade suficiente – quer através dos textos ditados, quer, noite alta, quando ouvia o pai fazer sexo com mulheres que engatava nos bares da vila balnear.
No verão de 2020, Sophia estreia-se como dramaturga. As críticas à sua peça são excecionais, mas o pai, cujos romances envelheceram mal, evita lê-las. Porém, acaba por ir ver a peça, desconhecendo que esta se centra na sua pessoa e nas férias na Sicília. Enquanto espera o veredito do pai, Sophia almoça com a mãe, discutindo e esmiuçando as relações familiares – a mãe, ligeiramente embriagada, Sophia, profundamente angustiada.
Com um argumento notável, humor e melancolia, Hipócrita é um romance extremamente inteligente que conquistou o prémio Somerset Maugham em 2025. O que acontece quando os filhos deixam de idolatrar os pais? Ou quando os pais começam a temer os filhos? Um livro sobre a memória e a família que chega às livrarias, com tradução de Telma Costa, a 20 de agosto.