2018-01-10

Chegou «Odeio a Internet», o melhor mau romance da temporada

Jarett Kobek faz um retrato cruel, sarcástico e hilariante de uma sociedade dominada, libertada e envenenada pela Internet.

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O cenário: a Califórnia da atualidade, as grandes empresas tecnológicas, o mundo dos comics e das «sexualidades alternativas», a competição por um lugar no Twitter ou por um like no Facebook, as fortunas dos donos da Amazon ou da Google. E uma série de perguntas incómodas simples: porque é que o ativismo do século XXI não passa de uma série de lições de moral digitados em computadores que não passam de dispositivos construídos por escravos? Como pudemos permitir que esse gigantesco universo de «redes sociais», comentários instantâneos, gritaria, ameaças, vaidade fotográfica, ódio às mulheres, notícias falsas ou tweets idiotas que inundam a Internet se transformassem nas armas dos novos escravos – seres infelizes cuja maior alegria é causar infelicidade aos seus semelhantes?

Neste seu primeiro romance, Jarett Kobek explica com detalhe e de maneira hilariante como a CIA financiou o romance do século XX ou como funciona a «economia política das redes sociais» onde os ricos ganham dinheiro incessantemente e todos abdicam dos direitos intelectuais em benefício do Instagram ou do Facebook. Kobek faz um retrato hilariante e obsceno de uma sociedade de fracos – dependentes de um post – que alimentam constantemente a supremacia dos poderosos.

Hipócrita, feminista, cru e inteligente, em «Odeio a Internet» Kobek apresenta uma fábula útil na qual mostra como somos vítimas do boom digital, e na qual expõe as consequências de se ser dispensável ou descartável num mundo novo e cruel: «Este mau romance, que é uma lição de moral sobre a Internet, foi escrito num computador. Estão a experimentar a indignação moral de um escritor hipócrita que lucrou com as vantagens da escravatura.»

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