2023-06-22

Agora, começa a história de Briseida sem Aquiles.

Aquiles jaz junto de Pátroclo. A glória eterna em troca da sua morte prematura aos pés das muralhas de Troia. É neste momento, quando termina a história de Aquiles – a dele e apenas essa –, junto da sua sepultura, que voltamos à de Briseida, sua escrava. Em As Mulheres de Troia, Pat Barker convida a escutar as vozes das heroínas silenciadas e esquecidas da literatura da Antiguidade, igualmente convocadas no seu livro anterior, O Silêncio das Mulheres, publicado pela Quetzal em 2020.

Partilhar:

Troia foi tomada. Os gregos ganharam a guerra. Agora, podem regressar a casa, vitoriosos e carregados com o saque: o ouro roubado, as armas roubadas e as mulheres roubadas. Tudo aquilo de que precisam é de um vento favorável para a viagem. Mas o vento tarda em chegar. Os deuses foram ofendidos – o corpo de Príamo jaz profanado e insepulto – e os vencedores encontram-se num limbo, acampados à sombra da cidade que destruíram. Durante estes dias de inquietude, as alianças que os tinham mantido unidos enfraquecem, as antigas querelas renascem e a suspeita recrudesce. Briseida sobreviveu à guerra, mas os tempos de paz podem ser bem mais perigosos.

As Mulheres de Troia é um belíssimo livro sobre a realidade brutal da guerra e da escravidão, uma Ilíada feminista, onde as alianças entre as mulheres podem ajudar a traçar o caminho para a vingança.

Chega hoje às livrarias, com tradução de Rita Almeida Simões.