2021-11-10

Quando o tempo não parece ter princípio nem fim.

Cruelmente irónicas e melancolicamente solenes, assim são as personagens que Claudio Magris traz em O Tempo Curvo em Krems, o livro que sucede a Instantâneos, e que chega às livrarias a 18 de novembro, com tradução de Antonio Sabler.

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Como um curso de um rio, que nos leva à foz ou à nascente, os protagonistas destas histórias confrontam-se com o passado e as suas marcas, num livro que evoca o tempo, a memória e a velhice. São eles um industrial rico que encena uma falsa «retirada» da sua antiga vida; um professor de música que reencontra o antigo discípulo, numa reunião de ambíguo constrangimento; um viajante que uma aparentemente insignificante coincidência leva à descoberta de que a vida e o amor existem num não-tempo, no qual tudo é presente e tudo acontece em simultâneo; um velho escritor, convidado de honra de um prémio, que serve apenas de medida ao que o afasta do mundo e dos rituais da literatura; e, por último, o homem que sobreviveu à Primeira Grande Guerra e ao período áureo – irredentista – da cultura triestina, que observa a rodagem de um filme sobre os acontecimentos da sua própria juventude e não consegue rever-se – ou aos seus companheiros – nos gestos e nas palavras dos atores.

Cinco protagonistas que vão, aos poucos, elidindo a linha entre ficção e realidade.

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