2023-11-03

O interminável e terrivelmente belo mundo da poesia de Roberto Bolaño.

Ninguém pode deixar de se comover quando começa a folhear o livro que reúne toda a poesia de Roberto Bolaño. Belíssimo exemplar de capa dura, com sobrecapa a cores, que a Quetzal Editores produziu com tanta dedicação e que toma de assalto as prateleiras das livrarias a 16 de novembro. Finalmente, a poesia de Roberto Bolaño. Com tradução de Carlos Vaz Marques.

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Roberto Bolaño cultivava a poesia como uma forma de arte superior: «A poesia é mais corajosa do que ninguém.» Autor de alguns dos livros mais marcantes do nosso tempo, como Os Detetives Selvagens ou o monumental 2666, a sua obra confirma o dom de Bolaño para associar registos completamente diferentes, reunindo poemas escritos em prosa, histórias em verso e outros fragmentos que dificilmente podem ser catalogados num ou noutro campo. Para Bolaño, poesia e prosa não são duas, mas muitas coisas sempre em movimento, alterando a sua identidade e a forma como a literatura ilumina a nossa vida – e explica parte da sua biografia.

Há muito desespero e desamparo na poesia de Roberto Bolaño, refere Manuel Villas no prólogo desta edição: «Bolaño estava obcecado pelos poetas, porque eram os únicos a resistir ao dinheiro. Os poetas não tinham dinheiro, mas tinham conhecimentos.» Aliás, muitos dos seus poemas são profundamente autobiográficos e – como a generalidade da sua ficção – estão cheios de poetas e artistas famintos, errantes, em cenas de pugilato, loucos por sexo, magoados, egocêntricos, mergulhados na noite, à beira da penúria, literatos corruptos ou canções que nunca foram escritas. É um mundo interminável, belo e terrível.