Original e inquietante, Rodrigo Magalhães regressa com Os Corpos
06.09.2017
Um dos mais singulares autores da literatura portuguesa explora a ideia de morte como destino partilhado
O primeiro livro de Rodrigo Magalhães (1975), Cinerama Peruana, foi uma pedrada no charco. Tratava-se de uma nova voz na literatura portuguesa, que imediatamente obteve o reconhecimento da crítica. Os Corpos, a sua segunda obra, em breve nas livrarias, baseia-se no misterioso caso do homem de Somerton. Em 1948, na praia de Somerton, na Austrália, deu à costa o corpo de um homem não identificado. Apesar de todos os esforços das autoridades, nenhuma identificação do corpo foi possível. Vestido de fato e gravata, de boa constituição e aparência, o homem tinha apenas, como facto distintivo, um cigarro preso atrás da orelha e, num dos bolsos, um pedaço de papel com as palavras «Tamam Shud», «este é o fim», as últimas palavras de Rubaiyat, do poeta persa Omar Khayyam. Um caso que permanece sem solução até hoje. Tão misterioso que as autoridades australianas decidiram embalsamar o corpo misterioso, algo de inédito naquele país.  

Rodrigo Magalhães toma o evento como mote, criando uma história que se desdobra e multiplica por tantas perspetivas quantas as personagens, cujas narrativas são interrompidas, afastando-se permanentemente da sua completude. 

Os Corpos está nas livrarias a 9 de setembro.