O Céu que nos Protege – a perdição do grande deserto
21.07.2017
Um livro de estreia sofisticado e maduro, um clássico da obra de Bowles
O Céu que nos Protege é o grande romance de Paul Bowles, livro de estreia do inveterado viajante, compositor e escritor. Uma ficção inaugural que lhe mereceu uma elogiosa crítica do dramaturgo Tenessee Williams: «[o livro] conduz o leitor a uma desconcertante comunhão com o talento de verdadeira maturidade e sofisticação, de uma espécie que eu começava a temer só se encontrar hoje em dia entre os rebeldes romancistas franceses, como Jean Genet, Albert Camus e Jean-Paul Sartre». 

Escrito em grande parte no deserto do Sahara, onde a ação se desenrola, Bowles demonstra o seu domínio sobre o território e, acima de tudo, sobre a aura que se inscreve naqueles lugares. A sua austeridade e paixão pela cultura tradicional fez dele um dos mais acutilantes observadores de civilizações estrangeiras. 

Em O Céu que nos Protege, publicado originalmente em 1949, Kit e Port, um casal americano, aventura-se nas profundidades do deserto até não haver sinais visíveis de influência europeia. Kit e Port encontram finalmente um estado de pureza. Uma pureza que as personagens de Bowles buscam constantemente e que acaba por ser a sua destruição. 

Este é o mais importante romance de Paul Bowles, que foi adaptado ao cinema por Bernardo Bertolucci, com John Malkovich e Debra Winger, nos papéis principais. De recordar que a Quetzal tem vindo a publicar o conjunto da obra do autor, nomeadamente o livro Viagens, que esgotou a sua primeira edição em português.